Quem somos
Nós!
Diz um dos provérbios iorubá que “Exu matou um pássaro ontem, com uma pedra que só jogou hoje”. O Grupo de Estudo e Pesquisas em Raça, Gênero e Sexualidade – ORI – nasce dos pássaros acertados ontem, através de uma dimensão espaço-temporal a qual, o pensamento ocidental e sua forma de organizar o mundo, não dão conta. Nosso tempo é espiralar, consequência de inúmeros caminhos, trajetórias e rotas, Ori é encruzilhar. Ori é cabeça em iorubá, lugar do orixá pessoal em sua força e grandeza. Lugar que firma universo, corpo e chão. Começamos a ganhar corpo na pandemia da Covid-19 vivida entre 2020 e 2022. De forma remota, encontramos o caminho para dizer não à barbárie. Sabíamos que o mundo como nós conhecemos já estava findo e, também, de alguma forma, sabíamos habitar e andar sob e sobre as ruínas. Assim, pesquisadoras/es inquietas/os, sabedoras/es de que as epistemes estão nos corpos, assentamos o Ori. Composto por dois Programas de Pós-Graduação: o Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PIPIGLA/Faculdade de Letras/UFRJ) e pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Ético-Raciais/CEFET/RJ, somos um grupo que opera na circularidade, aberto aos mundos e as/aos estudantes que o desejem compor. Nos interessam os estudos sobre racialidade, principalmente as racialidades negras. Prezamos pontos de vistas críticos, tendo na imbricação das opressões elementos importantes para pensar os processos de racialidades negras. Aqui, construímos dissertações e teses apostando em outras formas de escritas consideradas acadêmicas. Transitamos também pelas artes negras e indígenas, no sentido mais amplo, principalmente através dos estudos da performance, em particular os estudos de pretitude. Temos como acordo passar pela produção acadêmica com sopros de vida e não sofrimentos. Esse nome, para além de tudo que a palavra instaura enquanto ancestralidades imanentes, é um homenagem à grande intelectual negra Beatriz Nascimento. Somos Ori! Nós!
Edição e desenho de som: Dora Moreira
Locução: Ori
Captação paisagem sonora: Elton Panamby